17 de jan. de 2010

Aula 04 - 07/01/10



Filme "Batismo de Sangue" - O compromisso ético do Profissional em Cheque

Imagem: http://www.vivaviver.com.br


Seja em meio à tortura, opressão, privação de direitos - o indivíduo deve manter seu compromisso ético e agir em prol deste.


Alguns momentos do filme ressaltaram questões levantadas antes do mesmo, por exemplo:

Próximo ao fim do filme, uma frase proferida pelo advogado dos padres provocou revolta: " A tortura é de tal forma horrível que é melhor nem falar dela".
Contudo, antes da exibição do filme, ao sermos avisados da atmosfera pesada que a película apresentaria, alguns colegas quiseram evitá-lo.


Tal situação serve para elucidarmos algumas questões. Ao mesmo tempo em que criticamos um regime torturador e o vilanizamos, o ocorrido é de tal forma trágico que inicialmente gostaríamos de "apagar", "evitar" tomar conhecimento desta trágica página da história nacional.

O problema disso é que, ao apagarmos a tirania de um regime autocrático, também desvalorizamos a luta dos cidadãos pela REconquista de seus direitos, esquecendo inclusive que nossas ações e omissões construirão a sociedade na qual estamos inseridos.

Isso também se reflete no compromisso ético de cada um, inclusive do Psicólogo. Conforme a Wikipedia: "'ethos' (caráter) (...) indica um tipo de comportamento propriamente humano que não é natural, o homem não nasce com ele como se fosse um instinto, mas que é 'adquirido ou conquistado por hábito' (VÁZQUEZ)" (ver fonte). Ora, se a Ética é conquistada por hábito, podemos definir que ela é historicamente construída.
Logo, ignorar o que ocorreu no passado é ANTIÉTICO, uma vez que se desvaloriza como ela foi construída e porquê.

O que me remete à outra frase do filme: "Não era uma guerra DO povo, mas EM NOME do povo". Essa frase é de fundamental impacto, pois demonstra que as organizações rebeldes eram minoria, enquanto o POVO não havia se engajado nesta luta.

Ao longo do filme, a tortura efetuada nos frades (com exceção do Frei Betto, que possuía uma certa imunidade pelo parentesco com militar) demonstra as atrocidades cometidas em nome da Manutenção do Poder. Tal processo abala completamente Frei Tito (interpretado por Caio Blat) que, mesmo após sua libertação e asilo na França, é aterrorizado pelas lembranças e não consegue suportá-las.

O que discutimos após o filme foi:

Se Interferiu na Subjetividade do sujeito (como no caso do Frei Tito) - é Política Pública, sendo que "a inacessibilidade ao direito adoece o sujeito" citando a professora Loiva.

Outro ponto apresentado foi de "Quem tem os direitos negligenciados agora também os teve negligenciados anteriormente". A frase demonstra que, na verdade, aqueles que ficam à margem da sociedade por muitas vezes são marginalizados pela própria Sociedade. Isso se deve ao fato de que nossa visão de homem e de mundo é por si só excludente.

Isso nos remete à questão da prática do Psicólogo. Ela tem de ser reavaliada a todo o momento, pois o atendimento do psicólogo é permeado por uma relação de poder que favorece o psicólogo. Nosso papel então é auxiliar o indivíduo a estabelecer sua autonomia.

Para tanto, temos de compreender que sempre existem dois lados, e devemos ser capazes de percebê-los e revê-los (aí a importância da Supervisão). Tudo isso se deve a um motivo claro e compreensível: O profissional adoece no processo. Imerso na relação de poder que lhe favorece, o profissional pode perder o foco e prejudicar tanto ao seu paciente quanto à si próprio.

Entramos então no campo das Políticas Públicas de saúde, onde listamos alguns avanços a partir da Constituição de 1988 (o retorno da Democracia): a Lei 8080/90 - SUS, O Estatudo da Criança e do Adolescente entre outros.

A Saúde resulta dos aspectos globais do sujeito: Moradia, Educação, Emprego, entre outros.

Devemos fugir da lógica autocrática, onde o governante "sabe" o que a população precisa sem contatá-la, instaurando processos que descentralizem as decisões, aproximando cidadãos do processo de construção das políticas públicas que irão atuar em nome de seu bem-estar.


Para ilustrar o que foi dito até agora, segue Ultraje a Rigor, apresentando como fica o sujeito em um meio autocrático que não permite sua participação:





Mario Thompson

Nenhum comentário: