Então... houve um debate anterior à prova mostrando que, unida, a turma dominava o assunto.
Acredito que seja legal deixar para quem ler no blog alguns dos questionamentos feitos no dia, onde peço humildemente que comentem com sua opinião, tomando por base o que foi postado ao longo das datas.
São elas:
Considerando os conceitos de democracia, política, cidadania e direitos humanos, o que você entende por Psicologia e Políticas Públicas?
Qual o compromisso do Psicólogo na construção das Políticas Públicas?
Deixo também aberto o convite à todos para que participem nos dias 23 e 24/01 do Fórum Social Mundial - etapa Serra Gaúcha, que ocorrerá em Bento Gonçalves - RS (clique aqui para maiores informações)
Um grande abraço!
Mario Augusto Boeno Thompson
20 de jan. de 2010
Aula 10 - 14/01/10
Visita ao CRP - Subsede Caxias do Sul - Palestra Sílvia, do CREPOP (Centro de Referência em Políticas Públicas - Porto Alegre - RS)
Precisamos conhecer os mecanismos que regulam a profissão e que lutam por ela. Pensar e se desafiar.
O foco do Crepop é a Investigação, como um canal entre o CRP e a prática dos profissionais da Área.
O Crepop em si foi construído a partir de uma proposição em Brasília. O campo dele são as Políticas Públicas, ou seja, reconhece que o Controle Social está para além das gestões políticas.
É voltado para os Usuários, Trabalhadores da Área e Gestão...
Seu objetivo é "buscar incidir na vida", fazer parte do que acontece. Conforme Sílvia, o que nos leva para frente é a pergunta.
Por isso, o profissional é tão responsável quanto a Gestão.
Educação, Psicologia e Políticas Públicas
Ponto de partida - Nos últimos 20/25 anos, há um esforço da sociedade para se transformar.
Os principais conquistas e avanços das últimas décadas são principalmente sociais (Constituição Federal 1988, SUS, ECA, SUAS, LDBEN - Lei de Diretrizes e Bases Educacionais Nacionais).
Tais conquistas, tais leis, dialogam com o cenário / contexto da população. Os planos desenvolvidos tem de considerar o COLETIVO como beneficiado. Nosso objetivo é "Levantar pesquisas que produzem conhecimento", para assim Qualificar o Controle Social - pois é RESPONSABILIDADE DO CIDADÃO monitorar e fiscalizar as ações políticas.
A Prática, por sua vez, não pode estar desarticulada do cuidado, pois o "Destinatário da nossa ação precisa e merece ser ouvido". Silvia
Atua-se contra as Desigualdades Sociogênicas (ou seja, criadas pela própria Sociedade)
Deve-se incidir nos PROCESSOS e não nos RESULTADOS, pois o primeiro gera mudanças - o segundo somente esconde os problemas.
Acima de tudo, o Psicólogo tem de primar pela Potência do Sujeito (ou seja, buscar o pleno potencial deste)
Na Escola todos são importantes, onde precisamos olhar o Educador enquanto um Trabalhador (acredito que exigimos muito e os responsabilizamos demais por situações que não são da alçada destes).
Assim, podemos visualizar o que de diferente o humano coloca no trabalho para que ele efetivamente aconteça (trabalho como Invenção, como capacidade de lidar com o imprevisto).
Foi abordada a questão do Coletivo como Potência na Produção de Saúde, através do caminho de tirar as leis do papel e produzindo atenção integral.
Invertendo o conceito de Clínica Ampliada para Ampliar a Clínica, a palestrante Sílvia reforçou a centralidade da vida humana, onde levantou três aspectos importantes:
Desalienação (trabalhar para fomentar a conscientização)
Compromisso com a Produção de Saúde
Assumir quando não se sabe (IMPORTANTÍSSIMO)
Pra finalizar, uma música cuja letra eu acho importantíssima... vou traduzir um pedaço:
It's no good believing in somebody else
If you can't believe in yourself
You give them the reason to take all the power and wealth
It's no good you trying to sit on the fence (não há nada bom em você ficar em cima da cerca)
And hope that the trouble will pass (E esperar que o problema passe)
'Cause sitting on fences can make you a pain in the ass (Porque sentar em cercas pode te tornar uma dor no traseiro)
Simplesmente genial esse trecho! =P
If there's something you find to believe in (Se há algo em que você pensa acreditar em)
Then the message must get through (Então a mensagem DEVE passar)
So don't just sit in silence (Portanto não fique sentado em Silêncio)
When you know what to do (Quando você sabe o que fazer)
Enfim... não restam dúvidas que a ação Coletiva resulta de uma trama de indivíduos em mútua cooperação... Dessa forma peço que, assim como na música, faça coro com a rede em busca de melhores dias - faça essa canção soar mais alto... TURN IT UP! (Aumente o volume!)
Mario Augusto Boeno Thompson
Precisamos conhecer os mecanismos que regulam a profissão e que lutam por ela. Pensar e se desafiar.
O foco do Crepop é a Investigação, como um canal entre o CRP e a prática dos profissionais da Área.
O Crepop em si foi construído a partir de uma proposição em Brasília. O campo dele são as Políticas Públicas, ou seja, reconhece que o Controle Social está para além das gestões políticas.
É voltado para os Usuários, Trabalhadores da Área e Gestão...
Seu objetivo é "buscar incidir na vida", fazer parte do que acontece. Conforme Sílvia, o que nos leva para frente é a pergunta.
Por isso, o profissional é tão responsável quanto a Gestão.
Educação, Psicologia e Políticas Públicas
Ponto de partida - Nos últimos 20/25 anos, há um esforço da sociedade para se transformar.
Os principais conquistas e avanços das últimas décadas são principalmente sociais (Constituição Federal 1988, SUS, ECA, SUAS, LDBEN - Lei de Diretrizes e Bases Educacionais Nacionais).
Tais conquistas, tais leis, dialogam com o cenário / contexto da população. Os planos desenvolvidos tem de considerar o COLETIVO como beneficiado. Nosso objetivo é "Levantar pesquisas que produzem conhecimento", para assim Qualificar o Controle Social - pois é RESPONSABILIDADE DO CIDADÃO monitorar e fiscalizar as ações políticas.
A Prática, por sua vez, não pode estar desarticulada do cuidado, pois o "Destinatário da nossa ação precisa e merece ser ouvido". Silvia
Atua-se contra as Desigualdades Sociogênicas (ou seja, criadas pela própria Sociedade)
Deve-se incidir nos PROCESSOS e não nos RESULTADOS, pois o primeiro gera mudanças - o segundo somente esconde os problemas.
Acima de tudo, o Psicólogo tem de primar pela Potência do Sujeito (ou seja, buscar o pleno potencial deste)
Na Escola todos são importantes, onde precisamos olhar o Educador enquanto um Trabalhador (acredito que exigimos muito e os responsabilizamos demais por situações que não são da alçada destes).
Assim, podemos visualizar o que de diferente o humano coloca no trabalho para que ele efetivamente aconteça (trabalho como Invenção, como capacidade de lidar com o imprevisto).
Foi abordada a questão do Coletivo como Potência na Produção de Saúde, através do caminho de tirar as leis do papel e produzindo atenção integral.
Invertendo o conceito de Clínica Ampliada para Ampliar a Clínica, a palestrante Sílvia reforçou a centralidade da vida humana, onde levantou três aspectos importantes:
Desalienação (trabalhar para fomentar a conscientização)
Compromisso com a Produção de Saúde
Assumir quando não se sabe (IMPORTANTÍSSIMO)
Pra finalizar, uma música cuja letra eu acho importantíssima... vou traduzir um pedaço:
It's no good believing in somebody else
If you can't believe in yourself
You give them the reason to take all the power and wealth
It's no good you trying to sit on the fence (não há nada bom em você ficar em cima da cerca)
And hope that the trouble will pass (E esperar que o problema passe)
'Cause sitting on fences can make you a pain in the ass (Porque sentar em cercas pode te tornar uma dor no traseiro)
Simplesmente genial esse trecho! =P
If there's something you find to believe in (Se há algo em que você pensa acreditar em)
Then the message must get through (Então a mensagem DEVE passar)
So don't just sit in silence (Portanto não fique sentado em Silêncio)
When you know what to do (Quando você sabe o que fazer)
Enfim... não restam dúvidas que a ação Coletiva resulta de uma trama de indivíduos em mútua cooperação... Dessa forma peço que, assim como na música, faça coro com a rede em busca de melhores dias - faça essa canção soar mais alto... TURN IT UP! (Aumente o volume!)
Mario Augusto Boeno Thompson
Aula 09 - 13/01/10
Organização da Rede Socioassistencial
Tratamos sobre:
Proteção Social Básica (PSB) -> tem caráter preventivo, atende pessoas com vulnerabilidade SOCIAL, visando a inclusão destas na sociedade. Quem atende é o CRAS (Centro Referência em Assistência Social);
Proteção Social Especial (PSE) - caráter compensatório, processo protetivo de LONGA duração, destinado à indivíduos em situação de alta vulnerabilidade social. Quem atende é o CREAS (Centro Referência Especializada em Assistência Social
PSE -> Média Complexidade -> para Famílias e indivíduos com direitos violados mas vínculos familiar e comunitário não rompidos;
PSE -> Alta Complexidade -> Para indivíduo em situação de total abandono.
O CRAS atua através de programas de Inclusão produtiva e projetos de enfrentamento da pobreza (evitar o ciclo da pobreza onde a falta de oportunidades leva à repetição de situações inibidoras do desenvolvimento social de um indivíduo - e até de uma comunidade como um todo).
Fica como desafio para o Psicólogo encontrar seu lugar na política de assistência social, pois a Vulnerabilidade Social impacta severamente a Subjetividade (bem-estar) do sujeito (conforme dito anteriormente no próprio blog). Dessa forma, devemos Ressignificar nosso compromisso Ético, compreendendo que agir no contexto influi significativamente na construção da Subjetividade do Indivíduo.
Mas um pode se perguntar quanto à imensidão desta "nova" responsabilidade. Nisto cabe retransmitir o seguinte vídeo que nos foi apresentado pela Prof.ª Loiva:
Ou seja:
Adentramos então o contexto da Saúde do Trabalhador, com a palestra da Psicóloga Maria Marlene.
Achei interessante um paradigma comentado antes do início desta, que desvelo da seguinte forma:
Pensamos em Produzir Saúde. Porém, no modelo atual, trabalha-se somente a Saúde para Produzir.
Anulado pela lógica de mercado, o direito à Saúde passa a ser mercantilizado, pois o indivíduo só busca Atenção Médica (Oferta/Atendimento) quando já se percebe adoecido (Procura/Demanda).
Em face ao exposto acima, temos de evitar a culpabilização do sujeito pelo adoecimento no trabalho - as situações conflitivas nele estabelecidas possuem grande influência no Bem-Estar do sujeito em todos os contextos em que participa.
Observa-se então uma lógica absurda que exige um indivíduo duplo - sério e focado no seu trabalho e, fora deste, alegre e despreocupado. Esta ambigüidade faz com que, em ambos os momentos, o indivíduo esteja sob estresse. Consequentemente, a constrição de suas angústias vai minando sua imunidade e o indivíduo culmina adoecido - Psíquica ou Fisicamente.
Por isso precisamos pensar os caminhos possíveis para a Produção de Saúde e atuar na micropolítica para provocar mudanças (dúvidas, rever vídeo acima).
É necessário, acima de tudo, uma postura Questionadora e Reflexiva. É preciso perguntar a SI, inclusive, não se estamos promovendo a Saúde do Sujeito, mas se estamos a promovendo PARA ele.
Mario Augusto Boeno Thompson
Tratamos sobre:
Proteção Social Básica (PSB) -> tem caráter preventivo, atende pessoas com vulnerabilidade SOCIAL, visando a inclusão destas na sociedade. Quem atende é o CRAS (Centro Referência em Assistência Social);
Proteção Social Especial (PSE) - caráter compensatório, processo protetivo de LONGA duração, destinado à indivíduos em situação de alta vulnerabilidade social. Quem atende é o CREAS (Centro Referência Especializada em Assistência Social
PSE -> Média Complexidade -> para Famílias e indivíduos com direitos violados mas vínculos familiar e comunitário não rompidos;
PSE -> Alta Complexidade -> Para indivíduo em situação de total abandono.
O CRAS atua através de programas de Inclusão produtiva e projetos de enfrentamento da pobreza (evitar o ciclo da pobreza onde a falta de oportunidades leva à repetição de situações inibidoras do desenvolvimento social de um indivíduo - e até de uma comunidade como um todo).
Fica como desafio para o Psicólogo encontrar seu lugar na política de assistência social, pois a Vulnerabilidade Social impacta severamente a Subjetividade (bem-estar) do sujeito (conforme dito anteriormente no próprio blog). Dessa forma, devemos Ressignificar nosso compromisso Ético, compreendendo que agir no contexto influi significativamente na construção da Subjetividade do Indivíduo.
Mas um pode se perguntar quanto à imensidão desta "nova" responsabilidade. Nisto cabe retransmitir o seguinte vídeo que nos foi apresentado pela Prof.ª Loiva:
Ou seja:
"Suba o Primeiro degrau com fé. Não é necessário que você veja toda a escada. Apenas de o primeiro passo". Martin Luther King
Adentramos então o contexto da Saúde do Trabalhador, com a palestra da Psicóloga Maria Marlene.
Achei interessante um paradigma comentado antes do início desta, que desvelo da seguinte forma:
Pensamos em Produzir Saúde. Porém, no modelo atual, trabalha-se somente a Saúde para Produzir.
Anulado pela lógica de mercado, o direito à Saúde passa a ser mercantilizado, pois o indivíduo só busca Atenção Médica (Oferta/Atendimento) quando já se percebe adoecido (Procura/Demanda).
Em face ao exposto acima, temos de evitar a culpabilização do sujeito pelo adoecimento no trabalho - as situações conflitivas nele estabelecidas possuem grande influência no Bem-Estar do sujeito em todos os contextos em que participa.
Observa-se então uma lógica absurda que exige um indivíduo duplo - sério e focado no seu trabalho e, fora deste, alegre e despreocupado. Esta ambigüidade faz com que, em ambos os momentos, o indivíduo esteja sob estresse. Consequentemente, a constrição de suas angústias vai minando sua imunidade e o indivíduo culmina adoecido - Psíquica ou Fisicamente.
Por isso precisamos pensar os caminhos possíveis para a Produção de Saúde e atuar na micropolítica para provocar mudanças (dúvidas, rever vídeo acima).
É necessário, acima de tudo, uma postura Questionadora e Reflexiva. É preciso perguntar a SI, inclusive, não se estamos promovendo a Saúde do Sujeito, mas se estamos a promovendo PARA ele.
Mario Augusto Boeno Thompson
17 de jan. de 2010
Aula 08 - 12/01/10
Na aula vimos vídeo sobre Alcool e Drogas, onde vimos um pouco sobre a Redução de Danos.
Redução de danos:
A Redução de Danos é uma estratégia da saúde pública que visa reduzir os danos à saúde em conseqüência de práticas de risco. No caso específico do Usuário de Drogas Injetáveis (UDI), objetiva reduzir os danos daqueles usuários que não podem, não querem ou não conseguem parar de usar drogas injetáveis, e, portanto, compartilham a seringa e se expõem à infecção pelo HIV, hepatites e outras doenças de transmissão parenteral.
Fonte: http://www.aids.gov.br/data/Pages/LUMIS21AF2FB2PTBRIE.htm
Em minhas pesquisas encontrei inúmeras fontes contra e a favor da Política de Redução de Danos. Contudo, nas temáticas contra existe uma forte Ideologia referente à Legalização do Uso quando, em verdade, busca-se com a Redução de Danos (RD) a Defesa da Vida do indivíduo, por mais que este use Alcool, Drogas ou veja Luciana Gimenez =P.
Com base na RD, podemos inferir que o Êxito no tratamento da Dependência Química nem sempre é a Abstinência, e sim o BEM ESTAR do sujeito.
Sabemos que a RD é embasada nos Direitos Humanos e, assim como as demais políticas Públicas, têm de ser pensado na realidade da População.
Um importante avanço Legal é a Lei 11.343/2006 - que reconhece a Dependência Química como Doença e diferencia o dependente e o traficante.
A realidade é que o Álcool, a Droga não são origem de um problema, mas conseqüência. Sendo assim, nosso foco tem de ser alterado para o SUJEITO e seu CONTEXTO. Dessa forma se trabalha também a prevenção e a autonomia do indivíduo, que não precisa ficar isolado da Sociedade para estar "limpo".
Assim se pensa na produção de Subjetividade, pois a pessoa precisa querer parar, senão o consumo permanece e o atendimento (inclusive a internação) é um procedimento inútil. Por isso a necessidade do acolhimento, da compreensão do Contexto.
Enfim, ao invés de adotar políticas ANTI isso e CONTRA aquilo, acredito que seja essencial retomarmos uma meta PRÓ Vida, A FAVOR da Saúde e do Sujeito.
Gosto de um pensamento que acredito ser da Madre Teresa de Calcutá (curiosamente padroeira de um centro que luta quase exclusivamente contra a desintoxicação ao invés da conscientização):
"Não participo de manifestações anti-guerra, mas diga-me onde há uma demonstração de apoio a PAZ e eu estarei lá."
"A Política de Álcool e Drogas deve se basear em uma rede de dispositivos comunitários, integrados ao meio cultural, articulados aos serviços de saúde, educação e assistência social, trabalhando de forma articulada e complementar com os outros segmentos da sociedade".
Mario Augusto Boeno Thompson
Redução de danos:
A Redução de Danos é uma estratégia da saúde pública que visa reduzir os danos à saúde em conseqüência de práticas de risco. No caso específico do Usuário de Drogas Injetáveis (UDI), objetiva reduzir os danos daqueles usuários que não podem, não querem ou não conseguem parar de usar drogas injetáveis, e, portanto, compartilham a seringa e se expõem à infecção pelo HIV, hepatites e outras doenças de transmissão parenteral.
Fonte: http://www.aids.gov.br/data/Pages/LUMIS21AF2FB2PTBRIE.htm
Em minhas pesquisas encontrei inúmeras fontes contra e a favor da Política de Redução de Danos. Contudo, nas temáticas contra existe uma forte Ideologia referente à Legalização do Uso quando, em verdade, busca-se com a Redução de Danos (RD) a Defesa da Vida do indivíduo, por mais que este use Alcool, Drogas ou veja Luciana Gimenez =P.
Com base na RD, podemos inferir que o Êxito no tratamento da Dependência Química nem sempre é a Abstinência, e sim o BEM ESTAR do sujeito.
Sabemos que a RD é embasada nos Direitos Humanos e, assim como as demais políticas Públicas, têm de ser pensado na realidade da População.
Um importante avanço Legal é a Lei 11.343/2006 - que reconhece a Dependência Química como Doença e diferencia o dependente e o traficante.
A realidade é que o Álcool, a Droga não são origem de um problema, mas conseqüência. Sendo assim, nosso foco tem de ser alterado para o SUJEITO e seu CONTEXTO. Dessa forma se trabalha também a prevenção e a autonomia do indivíduo, que não precisa ficar isolado da Sociedade para estar "limpo".
Assim se pensa na produção de Subjetividade, pois a pessoa precisa querer parar, senão o consumo permanece e o atendimento (inclusive a internação) é um procedimento inútil. Por isso a necessidade do acolhimento, da compreensão do Contexto.
Enfim, ao invés de adotar políticas ANTI isso e CONTRA aquilo, acredito que seja essencial retomarmos uma meta PRÓ Vida, A FAVOR da Saúde e do Sujeito.
Gosto de um pensamento que acredito ser da Madre Teresa de Calcutá (curiosamente padroeira de um centro que luta quase exclusivamente contra a desintoxicação ao invés da conscientização):
"Não participo de manifestações anti-guerra, mas diga-me onde há uma demonstração de apoio a PAZ e eu estarei lá."
"A Política de Álcool e Drogas deve se basear em uma rede de dispositivos comunitários, integrados ao meio cultural, articulados aos serviços de saúde, educação e assistência social, trabalhando de forma articulada e complementar com os outros segmentos da sociedade".
Mario Augusto Boeno Thompson
Aula 07 - 11/01/10
Começamos a aula discutindo propostas de atuação para a Prática Supervisionada, que culminou com a decisão de participarmos do Fórum Social Mundial - Serra Gaúcha (ainda há tempo para participar, se inscreva!!),
Tivemos então a presença inicial de dois palestrantes - o Sr. Pizzetti e o Sr. Gilmar.
Gilmar comentou quanto à "Militância" através do movimento social, com as Associações de Moradores do Bairro (AMOB). A partir de uma luta em menor esfera, foi eleito conselheiro para o Orçamento Estadual e viu que políticas adotadas no Brasil estão sendo implantadas em outros países, devido à questão da Participação do Povo.
Ainda segundo o mesmo, o Orçamento Participativo tomou forma de Controle Social, onde os moradores tomaram como prioridades:
1º Saúde
2º Saneamento Básico
3º Educação
"Quanto mais o cidadão sabe das leis que o beneficiam, mais ele constrói a Cidadania". Gilmar
O Sr. Pizzetti comentou a construção de sua participação histórica nos movimentos de Bairros, onde segundo o mesmo as diferenças ideológicas não são consideradas e todos trabalham em prol uns dos outros. A luta das Associações de Bairros é Social.
Com a Ditadura, ele viu serem caçados os direitos que haviam lutado para construir, sofreu interrogatórios, dormiu no chão e teve de assinar presença junto ao quartel após sua soltura.
Passando por toda essa luta, ele continua clamando pelo que reivindicava há 30 anos - "Educação, Saúde e Segurança".
Enquanto ouvia os relatos, me veio à mente a música Tempo Perdido - do Legião Urbana.
Tomando licença poética pra alterar o que Renato Russo escreveu, segue a minha interpretação de um trecho:
Sempre eNfrente
Não temos tempo PARa perder...
Nessas duas linhas resumo o que entendo por Micropolíticas na construção de um objetivo maior. A persistência e a ação produzem resultados assim como sementes germinam em solo bem cuidado.
Enfim, se não temos mais o tempo que passou, ainda temos MUITO tempo... Temos todo tempo do mundo!
Na seqüência, Tivemos a palestra da Érika Oss sobre a Política de Humanização, que veio fazer um resgate dos preceitos instaurados pelo SUS.
Apresentu então seu projeto que envolvia o Grupo de Trabalho sobre Humanização (GTH), atuando na linha da Tríplice Inclusão:
Sujeito + Coletivo + Conflito (e saber como lidar com ele)
Tal Grupalidade promoveu o reencantamento pelo SUS, através da Humanização.
A Tríplice Inclusão, segundo Gastão Wagner, permite diferentes sujeitos a pensar sobre Saúde - num processo de Igualdade e Inclusão.
O fundamental ressaltado pela Érika, para mim, foi: "No conflito, encontrar a potencialidade através do respeito, do bem comum como objetivo".
Mario Augusto Boeno Thompson
Tivemos então a presença inicial de dois palestrantes - o Sr. Pizzetti e o Sr. Gilmar.
Gilmar comentou quanto à "Militância" através do movimento social, com as Associações de Moradores do Bairro (AMOB). A partir de uma luta em menor esfera, foi eleito conselheiro para o Orçamento Estadual e viu que políticas adotadas no Brasil estão sendo implantadas em outros países, devido à questão da Participação do Povo.
Ainda segundo o mesmo, o Orçamento Participativo tomou forma de Controle Social, onde os moradores tomaram como prioridades:
1º Saúde
2º Saneamento Básico
3º Educação
"Quanto mais o cidadão sabe das leis que o beneficiam, mais ele constrói a Cidadania". Gilmar
O Sr. Pizzetti comentou a construção de sua participação histórica nos movimentos de Bairros, onde segundo o mesmo as diferenças ideológicas não são consideradas e todos trabalham em prol uns dos outros. A luta das Associações de Bairros é Social.
Com a Ditadura, ele viu serem caçados os direitos que haviam lutado para construir, sofreu interrogatórios, dormiu no chão e teve de assinar presença junto ao quartel após sua soltura.
Passando por toda essa luta, ele continua clamando pelo que reivindicava há 30 anos - "Educação, Saúde e Segurança".
Enquanto ouvia os relatos, me veio à mente a música Tempo Perdido - do Legião Urbana.
Tomando licença poética pra alterar o que Renato Russo escreveu, segue a minha interpretação de um trecho:
Sempre eNfrente
Não temos tempo PARa perder...
Nessas duas linhas resumo o que entendo por Micropolíticas na construção de um objetivo maior. A persistência e a ação produzem resultados assim como sementes germinam em solo bem cuidado.
Enfim, se não temos mais o tempo que passou, ainda temos MUITO tempo... Temos todo tempo do mundo!
Na seqüência, Tivemos a palestra da Érika Oss sobre a Política de Humanização, que veio fazer um resgate dos preceitos instaurados pelo SUS.
Apresentu então seu projeto que envolvia o Grupo de Trabalho sobre Humanização (GTH), atuando na linha da Tríplice Inclusão:
Sujeito + Coletivo + Conflito (e saber como lidar com ele)
Tal Grupalidade promoveu o reencantamento pelo SUS, através da Humanização.
A Tríplice Inclusão, segundo Gastão Wagner, permite diferentes sujeitos a pensar sobre Saúde - num processo de Igualdade e Inclusão.
O fundamental ressaltado pela Érika, para mim, foi: "No conflito, encontrar a potencialidade através do respeito, do bem comum como objetivo".
Mario Augusto Boeno Thompson
Aula 06 - 09/01/10
Faltei à aula - Estou buscando conteúdo com colegas, aceito auxílio para criar algum comentário pertinente!
Aula 05 - 08/01/10
A aula em que cheguei atrasado =P
Nessa aula assistimos a um filme sobre a história da Saúde no Brasil, que considero melhor apresentado no blog da colega Fabrícia: Fazer Políticas Públicas
No vídeo vimos vários exemplos sobre como as pressões exercidas pelo Privado culminaram na falência de diversos sistemas de Saúde no País, pois financiavam obras para serem administradas particularmente. É possível também compreender que ainda sofremos seqüelas e mazelas advindas de um passado inescrupuloso, mas que nossa ação pode reverter tal quadro.
Na continuação, retornamos às Políticas Públicas e seu objetivo de atender com ações coordenadas à demanda pública. Para tanto, elas precisam ter capacidade de IMPACTO (no caso da Saúde, não só de atendimento, mas de Prevenção).
Sendo assim, cito aqui as principais diretrizes do SUS, conforme a Wikipedia (comentários entre parenteses):
Universalidade
"A saúde é um direito de todos", como afirma a Constituição Federal. Naturalmente, entende-se que o Estado tem a obrigação de prover atenção à saúde, ou seja, é impossível tornar todos sadios por força de lei. (A questão fundamental da Universalidade é de fornecer o ACESSO à saúde para todos).
Nessa aula assistimos a um filme sobre a história da Saúde no Brasil, que considero melhor apresentado no blog da colega Fabrícia: Fazer Políticas Públicas
No vídeo vimos vários exemplos sobre como as pressões exercidas pelo Privado culminaram na falência de diversos sistemas de Saúde no País, pois financiavam obras para serem administradas particularmente. É possível também compreender que ainda sofremos seqüelas e mazelas advindas de um passado inescrupuloso, mas que nossa ação pode reverter tal quadro.
Na continuação, retornamos às Políticas Públicas e seu objetivo de atender com ações coordenadas à demanda pública. Para tanto, elas precisam ter capacidade de IMPACTO (no caso da Saúde, não só de atendimento, mas de Prevenção).
Sendo assim, cito aqui as principais diretrizes do SUS, conforme a Wikipedia (comentários entre parenteses):
Universalidade
"A saúde é um direito de todos", como afirma a Constituição Federal. Naturalmente, entende-se que o Estado tem a obrigação de prover atenção à saúde, ou seja, é impossível tornar todos sadios por força de lei. (A questão fundamental da Universalidade é de fornecer o ACESSO à saúde para todos).
- Integralidade
- A atenção à saúde inclui tanto os meios curativos quanto os preventivos; tanto os individuais quanto os coletivos. Em outras palavras, as necessidades de saúde das pessoas (ou de grupos) devem ser levadas em consideração mesmo que não sejam iguais às da maioria. (O que levanta a questão do atendimento totalizado, evitando a fragmentação do indivíduo conforme a área do conhecimento envolvida).
- Eqüidade
- Todos devem ter igualdade de oportunidade em usar o sistema de saúde; como, no entanto, o Brasil contém disparidades sociais e regionais, as necessidades de saúde variam. Por isso, enquanto a Lei Orgânica fala em igualdade, tanto o meio acadêmico quanto o político consideram mais importante lutar pela eqüidade do SUS. (Ou seja, dispor tratamento igual considerando as diferenças!).
- Comentamos as tensões atuais referentes à implantação completa do SUS, onde devemos superar o modelo atual, que atua de forma individualista, com práticas fragmentadas onde o indivíduo é atendido pelo sintoma reduzindo o sujeito ao mesmo, onde o conhecimento será exclusivo da área que tratará do sintoma.
- Só se produz saúde pelo afeto - temos de ser Afetados pela situação para produzir Cuidado. Dessa forma, levamos em consideração a subjetividade do sujeito para a Intervenção.
- Nosso compromisso como Psicólogo é Construído, sendo um compromisso com a VIDA do Sujeito. Ao Garantir o Direito do Sujeito, se Produz Saúde e se Produz o Sujeito.
- Compromisso Social:
- Ampliação do grau de desalienação;
- Propor novos espaços para constituir as práticas psicológicas;
- Tomar posição - estar situado em seu tempo histórico;
- Participação nos movimentos e instâncias de Controle Social (incidir na transformação da Realidade);
- Reverter a lógica que sustenta o Imobilismo - Consciência requer Coragem
- Vimos sobre a importância do conhecimento das Leis (marcos legais) e das Políticas Públicas para a construção da Atenção Integral (Produção de Saúde, Cidadania e Defesa da Vida)
- Para tanto, existem diversos desafios que exigem uma busca contínua.
- "Cada um vê o mundo a partir do lugar que ocupa". Milton Santos
- "A saúde é o resultado não só de nossos atos como também de nossos pensamentos." (Mahatma Gandhi)
- Mário Thompson
A Construção de Saúde depende da ação de cada um.
Aula 04 - 07/01/10
Filme "Batismo de Sangue" - O compromisso ético do Profissional em Cheque
Imagem: http://www.vivaviver.com.br
Seja em meio à tortura, opressão, privação de direitos - o indivíduo deve manter seu compromisso ético e agir em prol deste.
Alguns momentos do filme ressaltaram questões levantadas antes do mesmo, por exemplo:
Próximo ao fim do filme, uma frase proferida pelo advogado dos padres provocou revolta: " A tortura é de tal forma horrível que é melhor nem falar dela".
Contudo, antes da exibição do filme, ao sermos avisados da atmosfera pesada que a película apresentaria, alguns colegas quiseram evitá-lo.
Tal situação serve para elucidarmos algumas questões. Ao mesmo tempo em que criticamos um regime torturador e o vilanizamos, o ocorrido é de tal forma trágico que inicialmente gostaríamos de "apagar", "evitar" tomar conhecimento desta trágica página da história nacional.
O problema disso é que, ao apagarmos a tirania de um regime autocrático, também desvalorizamos a luta dos cidadãos pela REconquista de seus direitos, esquecendo inclusive que nossas ações e omissões construirão a sociedade na qual estamos inseridos.
Isso também se reflete no compromisso ético de cada um, inclusive do Psicólogo. Conforme a Wikipedia: "'ethos' (caráter) (...) indica um tipo de comportamento propriamente humano que não é natural, o homem não nasce com ele como se fosse um instinto, mas que é 'adquirido ou conquistado por hábito' (VÁZQUEZ)" (ver fonte). Ora, se a Ética é conquistada por hábito, podemos definir que ela é historicamente construída.
Logo, ignorar o que ocorreu no passado é ANTIÉTICO, uma vez que se desvaloriza como ela foi construída e porquê.
O que me remete à outra frase do filme: "Não era uma guerra DO povo, mas EM NOME do povo". Essa frase é de fundamental impacto, pois demonstra que as organizações rebeldes eram minoria, enquanto o POVO não havia se engajado nesta luta.
Ao longo do filme, a tortura efetuada nos frades (com exceção do Frei Betto, que possuía uma certa imunidade pelo parentesco com militar) demonstra as atrocidades cometidas em nome da Manutenção do Poder. Tal processo abala completamente Frei Tito (interpretado por Caio Blat) que, mesmo após sua libertação e asilo na França, é aterrorizado pelas lembranças e não consegue suportá-las.
O que discutimos após o filme foi:
Se Interferiu na Subjetividade do sujeito (como no caso do Frei Tito) - é Política Pública, sendo que "a inacessibilidade ao direito adoece o sujeito" citando a professora Loiva.
Outro ponto apresentado foi de "Quem tem os direitos negligenciados agora também os teve negligenciados anteriormente". A frase demonstra que, na verdade, aqueles que ficam à margem da sociedade por muitas vezes são marginalizados pela própria Sociedade. Isso se deve ao fato de que nossa visão de homem e de mundo é por si só excludente.
Isso nos remete à questão da prática do Psicólogo. Ela tem de ser reavaliada a todo o momento, pois o atendimento do psicólogo é permeado por uma relação de poder que favorece o psicólogo. Nosso papel então é auxiliar o indivíduo a estabelecer sua autonomia.
Para tanto, temos de compreender que sempre existem dois lados, e devemos ser capazes de percebê-los e revê-los (aí a importância da Supervisão). Tudo isso se deve a um motivo claro e compreensível: O profissional adoece no processo. Imerso na relação de poder que lhe favorece, o profissional pode perder o foco e prejudicar tanto ao seu paciente quanto à si próprio.
Entramos então no campo das Políticas Públicas de saúde, onde listamos alguns avanços a partir da Constituição de 1988 (o retorno da Democracia): a Lei 8080/90 - SUS, O Estatudo da Criança e do Adolescente entre outros.
A Saúde resulta dos aspectos globais do sujeito: Moradia, Educação, Emprego, entre outros.
Devemos fugir da lógica autocrática, onde o governante "sabe" o que a população precisa sem contatá-la, instaurando processos que descentralizem as decisões, aproximando cidadãos do processo de construção das políticas públicas que irão atuar em nome de seu bem-estar.
Para ilustrar o que foi dito até agora, segue Ultraje a Rigor, apresentando como fica o sujeito em um meio autocrático que não permite sua participação:
Mario Thompson
Próximo ao fim do filme, uma frase proferida pelo advogado dos padres provocou revolta: " A tortura é de tal forma horrível que é melhor nem falar dela".
Contudo, antes da exibição do filme, ao sermos avisados da atmosfera pesada que a película apresentaria, alguns colegas quiseram evitá-lo.
Tal situação serve para elucidarmos algumas questões. Ao mesmo tempo em que criticamos um regime torturador e o vilanizamos, o ocorrido é de tal forma trágico que inicialmente gostaríamos de "apagar", "evitar" tomar conhecimento desta trágica página da história nacional.
O problema disso é que, ao apagarmos a tirania de um regime autocrático, também desvalorizamos a luta dos cidadãos pela REconquista de seus direitos, esquecendo inclusive que nossas ações e omissões construirão a sociedade na qual estamos inseridos.
Isso também se reflete no compromisso ético de cada um, inclusive do Psicólogo. Conforme a Wikipedia: "'ethos' (caráter) (...) indica um tipo de comportamento propriamente humano que não é natural, o homem não nasce com ele como se fosse um instinto, mas que é 'adquirido ou conquistado por hábito' (VÁZQUEZ)" (ver fonte). Ora, se a Ética é conquistada por hábito, podemos definir que ela é historicamente construída.
Logo, ignorar o que ocorreu no passado é ANTIÉTICO, uma vez que se desvaloriza como ela foi construída e porquê.
O que me remete à outra frase do filme: "Não era uma guerra DO povo, mas EM NOME do povo". Essa frase é de fundamental impacto, pois demonstra que as organizações rebeldes eram minoria, enquanto o POVO não havia se engajado nesta luta.
Ao longo do filme, a tortura efetuada nos frades (com exceção do Frei Betto, que possuía uma certa imunidade pelo parentesco com militar) demonstra as atrocidades cometidas em nome da Manutenção do Poder. Tal processo abala completamente Frei Tito (interpretado por Caio Blat) que, mesmo após sua libertação e asilo na França, é aterrorizado pelas lembranças e não consegue suportá-las.
O que discutimos após o filme foi:
Se Interferiu na Subjetividade do sujeito (como no caso do Frei Tito) - é Política Pública, sendo que "a inacessibilidade ao direito adoece o sujeito" citando a professora Loiva.
Outro ponto apresentado foi de "Quem tem os direitos negligenciados agora também os teve negligenciados anteriormente". A frase demonstra que, na verdade, aqueles que ficam à margem da sociedade por muitas vezes são marginalizados pela própria Sociedade. Isso se deve ao fato de que nossa visão de homem e de mundo é por si só excludente.
Isso nos remete à questão da prática do Psicólogo. Ela tem de ser reavaliada a todo o momento, pois o atendimento do psicólogo é permeado por uma relação de poder que favorece o psicólogo. Nosso papel então é auxiliar o indivíduo a estabelecer sua autonomia.
Para tanto, temos de compreender que sempre existem dois lados, e devemos ser capazes de percebê-los e revê-los (aí a importância da Supervisão). Tudo isso se deve a um motivo claro e compreensível: O profissional adoece no processo. Imerso na relação de poder que lhe favorece, o profissional pode perder o foco e prejudicar tanto ao seu paciente quanto à si próprio.
Entramos então no campo das Políticas Públicas de saúde, onde listamos alguns avanços a partir da Constituição de 1988 (o retorno da Democracia): a Lei 8080/90 - SUS, O Estatudo da Criança e do Adolescente entre outros.
A Saúde resulta dos aspectos globais do sujeito: Moradia, Educação, Emprego, entre outros.
Devemos fugir da lógica autocrática, onde o governante "sabe" o que a população precisa sem contatá-la, instaurando processos que descentralizem as decisões, aproximando cidadãos do processo de construção das políticas públicas que irão atuar em nome de seu bem-estar.
Para ilustrar o que foi dito até agora, segue Ultraje a Rigor, apresentando como fica o sujeito em um meio autocrático que não permite sua participação:
Mario Thompson
Aula 03 - 06/01/10
Filme - O Ano em que meus pais sairam de Férias
Enquanto o filme "A Onda" impressiona pelo Fascínio que provoca justamente ao tratar do Fascismo, "O Ano em que meus pais saíram de Férias" me impressiona pois causa Angústia e Desconforto (visível nos que estavam na sala) justamente ao retratar uma Época de Angústias e Desconforto.
Em dado momento do filme, escrevi a seguinte poesia:
A vida é feita de desencontros,
E os encontros por vezes são desacordos.
No meio de tanta confusão, é que encontramos nossa ordem,
em meio ao Caos, e é assim,
Não somos Jasmim, mas Lótus ao florescer do Pântano
Relacionando filme, textos e inclusive a poesia acima, reforçamos a noção de que os Direitos Humanos são buscados em Conflitos, em Luta. A ação é necessária, mesmo em momentos de dúvida. Cabe refletir, reaprender e tomar coragem para não prorrogar o sofrimento pela omissão.
É visível ao longo do filme como a Ditadura cria um ambiente superficialmente pacífico, porém carregado de tensão.
Afim de relacionar o filme com a questão do que é Público e o que é Privado, o melhor exemplo que me vem à mente é a Comunidade Judaica retratada.
Sendo de conhecimento que o neto de um falecido membro estava sob sua guarda, o Sr. Shlomo cuida do menino, como compromisso pessoal e ético. Quando fraqueja, em conversa com a Comunidade acaba sendo reforçado ao seu compromisso. Sendo ou não decisão de seu agrado, faz o melhor possível dentro de suas condições para cuidar do garoto, inclusive transgredindo o ambiente opressor da ditadura ao buscar encontrar os Pais de Mauro.
Essa busca de Shlomo ressalta a importância de se conhecer o ambiente em que se está - traçando um paralelo com a importância do Psicólogo conhecer as leis. Para ambos, o conhecimento abre possibilidades de sucesso ao articular a rede. É possível Construir um resultado Positivo através da Micropolítica (buscando pessoa por pessoa, se preciso).
Somente através do conflito, porém, é que se revelam e se conquistam os direitos humanos que são necessários porém não são atendidos..
É nesse viés que atuam Psicologia e Política Pública - feita com a participação de todos, incidindo na subjetividade do sujeito, para obter resultado objetivo.
Para ilustrar a mensagem, fica o vídeoclipe "The sweetest thing" do U2. Motivo: Bono (vocalista) havia esquecido o aniversário de sua mulher, e sua ação para desculpar-se foi a composição da música e depois o próprio videoclipe, onde ele reúne o auxílio de sua banda, dos bombeiros, do Riverdance (grupo de dança irlandesa) e outros - somente para pedir desculpas - reconhecendo a falta e buscando compensá-la.
A relação que faço com Psicologia e Políticas Públicas: Nossas ações são como pedidos de desculpas, visam reaver ao público o que é de Direito, ou obter o que ainda falta na RELAÇÃO como sociedade contemporânea. Nossas desculpas, porém, quando feitas de coração, com ética e perseverança - movem outros em prol do mesmo ideal e provém dividendos para todos que ninguém imaginaria. Ou você recusaria um pedido de desculpas como o do clipe?
Mario Thompson
Enquanto o filme "A Onda" impressiona pelo Fascínio que provoca justamente ao tratar do Fascismo, "O Ano em que meus pais saíram de Férias" me impressiona pois causa Angústia e Desconforto (visível nos que estavam na sala) justamente ao retratar uma Época de Angústias e Desconforto.
Em dado momento do filme, escrevi a seguinte poesia:
A vida é feita de desencontros,
E os encontros por vezes são desacordos.
No meio de tanta confusão, é que encontramos nossa ordem,
em meio ao Caos, e é assim,
Não somos Jasmim, mas Lótus ao florescer do Pântano
Relacionando filme, textos e inclusive a poesia acima, reforçamos a noção de que os Direitos Humanos são buscados em Conflitos, em Luta. A ação é necessária, mesmo em momentos de dúvida. Cabe refletir, reaprender e tomar coragem para não prorrogar o sofrimento pela omissão.
É visível ao longo do filme como a Ditadura cria um ambiente superficialmente pacífico, porém carregado de tensão.
Afim de relacionar o filme com a questão do que é Público e o que é Privado, o melhor exemplo que me vem à mente é a Comunidade Judaica retratada.
Sendo de conhecimento que o neto de um falecido membro estava sob sua guarda, o Sr. Shlomo cuida do menino, como compromisso pessoal e ético. Quando fraqueja, em conversa com a Comunidade acaba sendo reforçado ao seu compromisso. Sendo ou não decisão de seu agrado, faz o melhor possível dentro de suas condições para cuidar do garoto, inclusive transgredindo o ambiente opressor da ditadura ao buscar encontrar os Pais de Mauro.
Essa busca de Shlomo ressalta a importância de se conhecer o ambiente em que se está - traçando um paralelo com a importância do Psicólogo conhecer as leis. Para ambos, o conhecimento abre possibilidades de sucesso ao articular a rede. É possível Construir um resultado Positivo através da Micropolítica (buscando pessoa por pessoa, se preciso).
Somente através do conflito, porém, é que se revelam e se conquistam os direitos humanos que são necessários porém não são atendidos..
É nesse viés que atuam Psicologia e Política Pública - feita com a participação de todos, incidindo na subjetividade do sujeito, para obter resultado objetivo.
Para ilustrar a mensagem, fica o vídeoclipe "The sweetest thing" do U2. Motivo: Bono (vocalista) havia esquecido o aniversário de sua mulher, e sua ação para desculpar-se foi a composição da música e depois o próprio videoclipe, onde ele reúne o auxílio de sua banda, dos bombeiros, do Riverdance (grupo de dança irlandesa) e outros - somente para pedir desculpas - reconhecendo a falta e buscando compensá-la.
A relação que faço com Psicologia e Políticas Públicas: Nossas ações são como pedidos de desculpas, visam reaver ao público o que é de Direito, ou obter o que ainda falta na RELAÇÃO como sociedade contemporânea. Nossas desculpas, porém, quando feitas de coração, com ética e perseverança - movem outros em prol do mesmo ideal e provém dividendos para todos que ninguém imaginaria. Ou você recusaria um pedido de desculpas como o do clipe?
Mario Thompson
Aula 02 - 05/01/10
Filme - A Onda (foi baseado em um incidente real ocorrido em uma escola secundária norte-americana em 1967, em Palo Alto, Califórnia.)
Ao ver o filme, o que me marca é o caráter alienante do Poder. Não só os alunos abdicam de suas individualidades, entrando de certa forma num grupo exclusor mas que trata dos seus, como o autor do experimento - o professor Wenger - não percebe que o que está fomentando é perigoso, muito menos procura abstrair a situação para conseguir analisar criticamente o que acontece.
O filme é um ótimo alerta ao Fascínio - não necessariamente um Fascismo, mas à origem da Fascinação - citando a música cantada por Elis "teu sorriso PRENDE, ENEBRIA, ENTONTECE".
Visto pelo foco de um "narcisismo coletivo" (aliás, Narciso vem do grego narkissos - narke - torpor), percebe-se que os indivíduos são conquistados pelo afeto, onde a figura central é aquela que de certa forma melhor se comunica com as pessoas e aparentemente as assiste, apóia.
Sendo baseado na relação de um suposto mútuo favorecimento, é sob essa ótica que o Poder aliena e expropria o indivíduo da racionalidade necessária para não utilizá-lo em benefício próprio. Uns, ao acreditar que estão melhores, passam a acatar ordens sem o mínimo julgamento - e tomam posições de poder em relação aos que excluem do grupo. Outros, que tomam em mãos o poder de decisão dos primeiros, por mais que atuem com boas intenções (no dito popular, o inferno está cheio delas), já não percebem as conseqüências e os limites necessários.
Relacionando este conhecimento com a matéria, é possível compreender como o "operador da máquina" venha a acreditar que "é a máquina", trabalhando então para benefício próprio - e por vezes acreditando que o faz pelos outros.
No debate, o exemplo do atendimento de Saúde é importantíssimo: O paciente tende a transferir o poder para o atendente. Este por sua vez, deve informar o paciente que só está cumprindo com sua função - ou seja, operando a máquina - não embarcando na ilusão de Poder que prejudica todo o Contexto.
Por fim, a construção do social é histórica e acarreta estigmas os quais não podemos tolerar como indivíduos (como o exemplo acima ou o debate sobre raças, efetuado em aula), afim de não perpetuá-los.
Como meio de ilustrar as complexidades de uma relação de massas, escolhi apresentar uma VideoSong (um formato de vídeo onde todos os elementos da música aparecem no vídeo, sendo registros do momento de sua gravação). O motivo para tal é para demonstrar onde os pequenos detalhes influenciam uma melodia crescentemende complexa e como cada detalhe se entrelaça no vídeo.
Vídeo da banda Pomplamoose - Cover de "La Vie en Rose"
Pontos levantados na aula:
Conceito de Cidadania como produto das lutas concretas (sociais e políticas) de cada sociedade; Modelo NORMATIVO, que representa o IDEAL e o DESEJÁVEL (sendo assim fruto de amplo debate, uma vez que é construído com base em abstrações -> crenças).
Após a 2ª Guerra Mundial, através da criação da ONU cria-se um parâmetro para Garantia Mínima do Bem-Estar Social. Ou seja, um indice objetivo de um fator subjetivo.
Breve abordagem sobre o que é Política e o que é Estado, como facilitadores para compreensão das Égides que sustentam nossos conceitos atuais de Cidadania, Direitos e Deveres.
Mario Thompson
Ao ver o filme, o que me marca é o caráter alienante do Poder. Não só os alunos abdicam de suas individualidades, entrando de certa forma num grupo exclusor mas que trata dos seus, como o autor do experimento - o professor Wenger - não percebe que o que está fomentando é perigoso, muito menos procura abstrair a situação para conseguir analisar criticamente o que acontece.
O filme é um ótimo alerta ao Fascínio - não necessariamente um Fascismo, mas à origem da Fascinação - citando a música cantada por Elis "teu sorriso PRENDE, ENEBRIA, ENTONTECE".
Visto pelo foco de um "narcisismo coletivo" (aliás, Narciso vem do grego narkissos - narke - torpor), percebe-se que os indivíduos são conquistados pelo afeto, onde a figura central é aquela que de certa forma melhor se comunica com as pessoas e aparentemente as assiste, apóia.
Sendo baseado na relação de um suposto mútuo favorecimento, é sob essa ótica que o Poder aliena e expropria o indivíduo da racionalidade necessária para não utilizá-lo em benefício próprio. Uns, ao acreditar que estão melhores, passam a acatar ordens sem o mínimo julgamento - e tomam posições de poder em relação aos que excluem do grupo. Outros, que tomam em mãos o poder de decisão dos primeiros, por mais que atuem com boas intenções (no dito popular, o inferno está cheio delas), já não percebem as conseqüências e os limites necessários.
Relacionando este conhecimento com a matéria, é possível compreender como o "operador da máquina" venha a acreditar que "é a máquina", trabalhando então para benefício próprio - e por vezes acreditando que o faz pelos outros.
No debate, o exemplo do atendimento de Saúde é importantíssimo: O paciente tende a transferir o poder para o atendente. Este por sua vez, deve informar o paciente que só está cumprindo com sua função - ou seja, operando a máquina - não embarcando na ilusão de Poder que prejudica todo o Contexto.
Por fim, a construção do social é histórica e acarreta estigmas os quais não podemos tolerar como indivíduos (como o exemplo acima ou o debate sobre raças, efetuado em aula), afim de não perpetuá-los.
Como meio de ilustrar as complexidades de uma relação de massas, escolhi apresentar uma VideoSong (um formato de vídeo onde todos os elementos da música aparecem no vídeo, sendo registros do momento de sua gravação). O motivo para tal é para demonstrar onde os pequenos detalhes influenciam uma melodia crescentemende complexa e como cada detalhe se entrelaça no vídeo.
Vídeo da banda Pomplamoose - Cover de "La Vie en Rose"
Pontos levantados na aula:
Conceito de Cidadania como produto das lutas concretas (sociais e políticas) de cada sociedade; Modelo NORMATIVO, que representa o IDEAL e o DESEJÁVEL (sendo assim fruto de amplo debate, uma vez que é construído com base em abstrações -> crenças).
Após a 2ª Guerra Mundial, através da criação da ONU cria-se um parâmetro para Garantia Mínima do Bem-Estar Social. Ou seja, um indice objetivo de um fator subjetivo.
Breve abordagem sobre o que é Política e o que é Estado, como facilitadores para compreensão das Égides que sustentam nossos conceitos atuais de Cidadania, Direitos e Deveres.
Mario Thompson
Aula 01 - 04/01/10
Após a apresentação da Ementa e outros assuntos, foram separados grupos para a leitura de 3 textos, onde ao final desta seriam apresentados pelos grupos para debate.
Seguem as anotações que fiz das apresentações e debate (do 1º Grupo - Texto Pedrinho Guareschi e 2º Grupo - Texto Paulo Maldos - o qual fiz parte):
- Direitos estabelecidos a partir do individual;
- Direito pelo Direito - Dessa forma, se torna muito superficial, teórico apenas;
- O embasamento de Direitos em Crenças os tornam parciais;
- No texto, apresenta-se a Analética - a Dialética COM Ética - Para valorizar e cuidar o Humano, onde o compromisso Ético é para com o Social e aos Direitos Humanos;
- O Direito só existe na Complexidade do Contexto, ou seja, o Direito é Relativo (e não Absoluto)
- Falta discussão sobre o que embasa a Ética e os Direitos.
- A Democratização do Poder como meio de Ação para Melhoria;
- As diferenças entre Limite (envolve Responsabilidade) e Repressão (retira a escolha do indivíduo)
- A Construção Social de Lei com base nas Relações Sociais de Poder;
Trecho da Entrevista sobre "Os Faxinas" do Carandiru (clique aqui para fonte completa):
"A faxina é a espinha dorsal da cadeia. Além do trabalho braçal de distribuir as três refeições do dia e de organizar a limpeza diária dos pavilhões, seus membros são responsáveis pela manutenção da ordem dentro da cadeia, pelas negociações entre partes rivais e, quando não há outra saída, também têm o poder de dizer quando e como alguém deve morrer.
Drauzio – A faxina também faz a mediação de problemas, não é verdade?
Faxina - Faz, sim. É quase impossível, dentro deste lugar, agradar a gregos e troianos. Mas eu procuro, com aquele jogo de cintura, agradar uns, agradar outros e agradar a mim mesmo que é o mais importante, né. Então, eu fico só urubusservando, como eu digo, as pessoas com quem posso contar, porque dentro da faxina tem todo tipo de pessoa. Tem o malandrão, o malandrinho, aquele que se alguém matar vai segurar o crime. Tudo isso tem que ser pensado pelo faxina na hora de tomar uma decisão que envolva as vidas dos seres humanos.
Faxina - Faz, sim. É quase impossível, dentro deste lugar, agradar a gregos e troianos. Mas eu procuro, com aquele jogo de cintura, agradar uns, agradar outros e agradar a mim mesmo que é o mais importante, né. Então, eu fico só urubusservando, como eu digo, as pessoas com quem posso contar, porque dentro da faxina tem todo tipo de pessoa. Tem o malandrão, o malandrinho, aquele que se alguém matar vai segurar o crime. Tudo isso tem que ser pensado pelo faxina na hora de tomar uma decisão que envolva as vidas dos seres humanos.
Quanto ao texto do Paulo Maldos, o mesmo apresenta uma construção histórica das lutas políticas quanto aos Direitos Humanos, onde os CONFLITOS são tratados numa lógica pendular, sendo Ofensivas, neutras ou defensivas. Pontuando a transição traçada por ele, temos os seguintes momentos:
1º Quebra do Sistema Feudal pela Burguesia: Movimento ofensivo onde a Burguesia toma poder e instaura sua Ideologia;
2º Revolução Soviética de 1917 visando os Direitos Sociais - Ofensiva pois radicaliza ao tornar o Direito ao trabalho como pilar da sociedade.
3º Reivindicação dos Direitos retirados pelas Ditaduras na América Latina - Defensivo, uma vez que visa somente retomar Direitos que já existiam anteriormente - Parafraseando o Frei Betto: Defesa dos Direitos Animais (morar, comer, cuidar da vida).
Contudo, no viés abordado por Maldus, é necessário saber que tipo de sociedade queremos construir, o que prescinde uma perspectiva histórica, que altere o movimento, para que não mais seja apenas ofensivo/defensivo, mas sim transformativo, projetado e planejado.
O papel do Psicólogo nesta transformação se dá através da amenização do sofrimento criado pelo próprio meio, ou seja, deve ser embasado historicamente e adaptado de forma contínua ao contexto e sua evolução.
Quanto ao texto da Heliana Conde, seguem minhas anotações:
- O Paradoxo dos Direitos Humanos (enredados na visão do mercado);
- A lógica dos Direitos Humanos é Burguesa e Capitalista (todos têm de produzir alguma coisa);
- As práticas Psi não podem legitimar invalidações de outros (explorações, desigualdades e afins);
- Temos de refletir nossa prática e o que foi historicamente construído como limite - é necessário Transgredir.
Mario Thompson
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